12 de mai. de 2026

O que significa para mim a leitura

 


Para mim, a leitura é vida. Não posso prescindir dela. Desde criança, sempre tive um livro na mão, ou muito perto. Aprendi a ler sentada no regaço da minha mãe, seguindo as palavras enquanto ela me lia em voz alta. Mais tarde, sempre pedia livros como presentes de aniversário e de Natal. Nos anos 50, havia edições infantis baratas, impressas em papel tosco, cor de café com leite, e cheguei a ter uma boa coleção. Mas nunca eram suficientes os meus próprios livros.

Converti-me muito cedo em leitora habitual da biblioteca local, aonde a minha mãe tinha de acompanhar-me, porque ficava do outro lado de uma rua muito movimentada e sem passadeira. Mas nunca se queixava, porque também escolhia livros para ela e para o meu pai. Os preferidos dela eram os livros policiais e os dele os de cowboys. Eu não era tão restritiva: escolhia os três livros, o limite permitido, que me apeteciam nesse dia - dois de ficção e um de não ficção. A minha assiduidade rapidamente me trouxe cartão de leitor adulto, e deleitei-me imensamente.

Com a aprendizagem de outras línguas - o francês no ensino secundário, o espanhol na universidade e, mais tarde, o português - os meus horizontes abriram-se. Descobri o prazer de ler livros no original e não em tradução, porque, como se diz, ”tradutor, traidor”. O estilo do autor, a sonoridade da língua, as nuances das palavras que representam uma cultura única não se traduzem perfeitamente.

Hoje em dia, continuo a ler incansavelmente, mas leio muito mais no telemóvel ou no computador do que em livros de papel. Tenho cartão de leitor da Biblioteca Municipal, mas devo dizer que a seleção me parece muito pobre, tal como era na Maia, onde morava antes. É um reflexo das prioridades da economia portuguesa e também do preço dos livros hoje em dia. Culpo as editoras que compram e vendem a preços astronómicos e passam o custo aos consumidores. E depois queixam-se, sem vergonha, de que o público já não lê.

A pessoa pensa duas vezes antes de gastar vinte ou trinta euros num livro que pode nem terminar.

Por isso, dou graças pelos livros digitais. Custam pouco ou nada (quando os direitos de autor caducam) e são facilmente descartáveis quando se tornam tediosos, sem impactar o meio ambiente. É por causa deles que posso continuar a gozar da minha paixão pela leitura, que sempre me tem inspirado, educado, alargado os horizontes e ajudado a desenvolver o pensamento critico.

Postscriptum: Não faço menção aqui à poesia porque quase não a leio (só nas aulas!). Sempre fui leitora de prosa. Desde pequena não gostava de poesia, que sempre me parecia melancólica. Só depois de casada comecei a apreciá-la, dado que o meu marido escrevia poemas e sempre mos dava para ler. Muitos dos seus poemas eram alegres e, pouco a pouco, cheguei a ver que podiam conter tanto humor como tristeza. Mas sigo fiel à prosa.

Violet Long, 26-03-2026

 

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