24 de mar. de 2026

Descrevo Uma Paisagem

 


Antes de começar a escrever, fecho os olhos. Tudo fica escuro. Meu cérebro não vê o escuro, abro-os para perceber...

Éramos várias crianças entre os oito e doze anos, junto ao mar, AO ENTARDECER, numa época em que ausentar-nos e brincar na rua não era preocupação para

nossos pais.

Lá longe, na linha do horizonte, um vermelho forte que se movia, alteava, diminuía, voltava a incandescer... Era um navio de grande porte. Para nós um Navio em Chamas. Ficámos aflitas, queríamos ajudar, socorrer, alertar alguém.

Saímos da praia, galgámos dunas de areias, atravessámos pinhais de longas pernas castanhas e cabeças enormes dum verde envolvente. Três quilómetros que nos pareceram trinta. Ansiosas, falámos com nossos adultos que nos acalmaram, pouco sabíamos dos fenómenos da Natureza.

O nosso fogo... Eram os raios do Sol a refletirem nos vidros e corpos metálicos do navio.

O nosso temor existiu, o Mar continua lá com outras águas em movimento. O vermelho incandescente continua a aparecer e não queima.

E na areia... as pegadas das gaivotas continuam a marcar presença. As nossas, de minúsculo tamanho, deixaram de marcar o imaginário.

Júlia, 20-03-2026 


Nenhum comentário:

Postar um comentário