12 de mai. de 2026

MAIO

 


Perguntei ao Maio: Quem és Tu?

-Sussurrou-me ao ouvido, respondendo:- Não sei bem!...

Porque sou por vezes um mito e ritual pagão, ou então ritual católico com peregrinos.

Sou uma tradição de giestas, de Maios..posto em Janelas e portas. Posso ser também uma boneca enfeitada em proteção à fertilidade e a uma boa agricultura.

Sou as Maias e os Maios. Me pareço bissexuada, Mensageira de Deuses, ora de Gregos ora de Romanos. Fui mãe de Mercúrio, sou a pequena mãe (avó) de bons frutos...

Sou uma ancestral mitológica, abençoo os apaixonados e a fertilidade.

Sou de chuvas, sou de Sol, de ventos, de degelos de calor... Sou muitos meridianos...

 

(Sim, Maio, entendo que tenhas dúvidas sobre ti própria… ti próprio...). Como tu, não quereria ser suspeita de mim mesma!

 

Pois; Também não queria ser o quinto mês do ano.... Não me dei meu próprio nome, não estive presente no meu batismo. Faço parte dos doze meses. Sou um calendário com ou sem estampa colorida. Mas sei que sou bonito, com os dias em crescendo pelos campos floridos.

 

Subi por uma grua acima, espreitei um enorme ninho. Eram cegonhas eclodidas ou ainda a eclodir. Abençoei a ninhada. Aninhei-me junto e por ali fiquei contemplando. Sou também a Primavera dos pios e chilreios.

Júlia 05-05-2026

"Não cortar o relvado em maio"

 


Até domingo passado, não tinha nenhuma inspiração sobre o que escrever sobre o mês de maio. Não é um mês que me inspire. Mas, nesse dia, li um artigo no jornal que me intrigou.

Em Inglaterra, há vários anos promove-se uma iniciativa que se chama “No Mow May", ou seja, não cortar o relvado em maio, que incentiva as pessoas a deixar de cortar a relva dos seus jardins durante a primavera para aumentar a biodiversidade.

Os resultados são surpreendentes. Não só cresce a relva como também muitas outras plantas, porque as sementes podem sobreviver debaixo da terra, à espera de uma oportunidade para florescer, mesmo nos relvados impecáveis de que tanto gostam os Ingleses. As pessoas que colaboram com esta iniciativa ficam

muito entusiasmadas com a variedade de espécies de plantas e flores silvestres que aparecem nos seus jardins.

Com cada ano que passa, o jardim transforma-se, sobretudo se o deixarmos durante todo verão e não apenas em maio, e a biodiversidade aumenta. As plantas perenes, com raízes profundas, melhoram a estrutura do solo, armazenam mais carbono e criam um ecossistema adequado para plantas,

pássaros, borboletas, abelhas e até pequenos animais que se podem esconder entre a vegetação.

Infelizmente, a única relva que tenho no meu pátio é artificial, e não posso aproveitar esta excelente ideia, que também tem a enorme vantagem de reduzir o trabalho árduo de jardinagem.

Violet Long, 03-05-2026

 

O que significa para mim a leitura

 


Para mim, a leitura é vida. Não posso prescindir dela. Desde criança, sempre tive um livro na mão, ou muito perto. Aprendi a ler sentada no regaço da minha mãe, seguindo as palavras enquanto ela me lia em voz alta. Mais tarde, sempre pedia livros como presentes de aniversário e de Natal. Nos anos 50, havia edições infantis baratas, impressas em papel tosco, cor de café com leite, e cheguei a ter uma boa coleção. Mas nunca eram suficientes os meus próprios livros.

Converti-me muito cedo em leitora habitual da biblioteca local, aonde a minha mãe tinha de acompanhar-me, porque ficava do outro lado de uma rua muito movimentada e sem passadeira. Mas nunca se queixava, porque também escolhia livros para ela e para o meu pai. Os preferidos dela eram os livros policiais e os dele os de cowboys. Eu não era tão restritiva: escolhia os três livros, o limite permitido, que me apeteciam nesse dia - dois de ficção e um de não ficção. A minha assiduidade rapidamente me trouxe cartão de leitor adulto, e deleitei-me imensamente.

Com a aprendizagem de outras línguas - o francês no ensino secundário, o espanhol na universidade e, mais tarde, o português - os meus horizontes abriram-se. Descobri o prazer de ler livros no original e não em tradução, porque, como se diz, ”tradutor, traidor”. O estilo do autor, a sonoridade da língua, as nuances das palavras que representam uma cultura única não se traduzem perfeitamente.

Hoje em dia, continuo a ler incansavelmente, mas leio muito mais no telemóvel ou no computador do que em livros de papel. Tenho cartão de leitor da Biblioteca Municipal, mas devo dizer que a seleção me parece muito pobre, tal como era na Maia, onde morava antes. É um reflexo das prioridades da economia portuguesa e também do preço dos livros hoje em dia. Culpo as editoras que compram e vendem a preços astronómicos e passam o custo aos consumidores. E depois queixam-se, sem vergonha, de que o público já não lê.

A pessoa pensa duas vezes antes de gastar vinte ou trinta euros num livro que pode nem terminar.

Por isso, dou graças pelos livros digitais. Custam pouco ou nada (quando os direitos de autor caducam) e são facilmente descartáveis quando se tornam tediosos, sem impactar o meio ambiente. É por causa deles que posso continuar a gozar da minha paixão pela leitura, que sempre me tem inspirado, educado, alargado os horizontes e ajudado a desenvolver o pensamento critico.

Postscriptum: Não faço menção aqui à poesia porque quase não a leio (só nas aulas!). Sempre fui leitora de prosa. Desde pequena não gostava de poesia, que sempre me parecia melancólica. Só depois de casada comecei a apreciá-la, dado que o meu marido escrevia poemas e sempre mos dava para ler. Muitos dos seus poemas eram alegres e, pouco a pouco, cheguei a ver que podiam conter tanto humor como tristeza. Mas sigo fiel à prosa.

Violet Long, 26-03-2026