2 de dez. de 2025

No Café


Entrei no café e sentei-me na única mesa desocupada. O café estava sempre muito concorrido a essa hora. Pedi um café e comecei a olhar as pessoas. Um grupo de senhoras bisbilhotava com olhares conspiratórios, enquanto um grupo de homens se ria dando palmadas na mesa. Em outras mesas, jogavam dominó ou liam o jornal, e, naturalmente, não faltavam pessoas que não se falavam porque estavam absortas no telemóvel. A exceção: um par de jovens que se olhavam nos olhos, mãos dadas, como um par de pombinhos. Só eu e uma senhora estávamos sozinhas.

Ela estava sentada a uma mesa perto da janela com um café e um copo de água na sua frente. Aparentava ter uns sessenta ou setenta anos e vestia um casaco de pele. Olhava pela janela com uma expressão ansiosa, como alguém que está àespera da chegada duma pessoa que se atrasa demais. Bebi o meu café e comi a minha torrada, e distraí-me um pouco lendo as notícias. Passaram talvez uns vinte minutos. A senhora da janela ainda estava ali, sempre com essa expressão ansiosa. De repente, olhou o relógio, suspirou profundamente e levantou-se.

Pagou o seu café e saiu.

A dona do café notou que eu olhava a senhora. "Ah," disse. "Essa senhora. Ela vem aqui todas as quartas-feiras à mesma hora, sempre sozinha. Senta-se à mesma mesa e pede um café. Fica meia hora, sempre olhando pela janela e depois paga e vai embora. Não fala com ninguém. Parece que espera alguém que nunca chega. Já lá vão cinco anos. É triste."

Concordei, paguei e saí, pensando na senhora dos olhos tristes.

Violet Long, 02-12-2025


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