PARABÉNS
Parabéns minha musa
Musa sem dúvidas nenhumas,
Sem ti não escreveria as palavras seguidas,
Sem ti não saberia que o Fernando, um dia, disse que cada um tinha uma pequena parte de loucura e de poesia.
Loucura e poesia ? Caramba! qual é esse novo programa?
Parabéns minha musa
Agora, com uma musa e um poeta como Pessoa ao meu lado não tenho qualquer razão válida para não deixar a minha caneta escavar uma pagina bem inspirada !
razão válida ? Poderia ser uma falta futura de tinta ? só ouvi que teria perturbação no fornecimento de gasolina, mas nunca de tinta. ah! más desculpas e grandes mentiras!
Parabéns minha musa
O comprimento desta página é uma razão verdadeira mas nunca faltarão páginas, pois não!
Falta de página? acredita, minha musa, são outra vez más desculpas e grandes mentiras!
Mas uma outra página será necessária com certeza para que o poeta reencontre a sua musa de novo amanhã.
Ninguém lerá estas poucas linhas, Ainda bem!
É Apenas uma história entre uma musa e seu poeta.
Parabéns minha musa
Robert
07/12/2018
06/12/2018
Aula Nossa língua Anabela Espada
Verde lagarto amarelo
texto Lygia Fagundes Telles
O verde lagarto amarelo entrou na casa no seu passo macio, sem ruído ; ele chamava-se Eduardo.
é assim que Rudolfo vê o seu irmão mais jovem : prelúdio de um texto amargo, ácido, cheio de ressentimentos.
O lagarto tem o sangue frio, move-se rapidamente dependendo do perigo ; ágil, o lagarto observa sua presa longamente antes de a matar.
O Rudolfo sente-se prisioneiro nesta relação mortífera, sempre diminuído em frente do irmão mais novo , irmão tão perfeito, tão amado por uma mãe protetora mas muito critica e pouco carinhosa com o Rudolfo.
O mal estar do pobre Rudolfo manifesta-se por todos os poros de seu corpo gordo desde a infância até à idade adulta.
Tanta transpiração, tanta irritação, tanta agitação.
Um texto difícil sobre a impossível fraternidade
E entretanto o lagarto observa, friamente, impassível. Não se sente responsável por nada!
Robert Allio
Verde lagarto amarelo
texto Lygia Fagundes Telles
O verde lagarto amarelo entrou na casa no seu passo macio, sem ruído ; ele chamava-se Eduardo.
é assim que Rudolfo vê o seu irmão mais jovem : prelúdio de um texto amargo, ácido, cheio de ressentimentos.
O lagarto tem o sangue frio, move-se rapidamente dependendo do perigo ; ágil, o lagarto observa sua presa longamente antes de a matar.
O Rudolfo sente-se prisioneiro nesta relação mortífera, sempre diminuído em frente do irmão mais novo , irmão tão perfeito, tão amado por uma mãe protetora mas muito critica e pouco carinhosa com o Rudolfo.
O mal estar do pobre Rudolfo manifesta-se por todos os poros de seu corpo gordo desde a infância até à idade adulta.
Tanta transpiração, tanta irritação, tanta agitação.
Um texto difícil sobre a impossível fraternidade
E entretanto o lagarto observa, friamente, impassível. Não se sente responsável por nada!
Robert Allio
As cores
O Vento Camaleão
Vento, a tua cor muda sempre como o camaleão
Como o camaleão, o que tu tocas transforma a tua aparência mutante
Verde como as árvores que oscilam majestosamente
Amarelo como o trigo que dança tranquilamente
Branca como as velas dos barcos que navegam seguramente
Vermelho como o teu vestido que eleva-se sedutoramente
Vento multicolor, para a beleza do mundo
Sopra, Sopra, Sopra eternamente
Silêncio cor de Luz
Luz que vejo só no silêncio de minha alma
Silêncio cor azul
Azul que vejo só no silêncio dos teus olhos
Silêncio cor cinzenta
Cinzenta que vejo só no silêncio dos abismos
Silêncio cor vermelha
Vermelho apaixonado beijo que se solta dos teus lábios
Silêncio, o meu companheiro colorido
Robert Allio
Aula de Anabela Espada
O Vento Camaleão
Vento, a tua cor muda sempre como o camaleão
Como o camaleão, o que tu tocas transforma a tua aparência mutante
Verde como as árvores que oscilam majestosamente
Amarelo como o trigo que dança tranquilamente
Branca como as velas dos barcos que navegam seguramente
Vermelho como o teu vestido que eleva-se sedutoramente
Vento multicolor, para a beleza do mundo
Sopra, Sopra, Sopra eternamente
Silêncio cor de Luz
Luz que vejo só no silêncio de minha alma
Silêncio cor azul
Azul que vejo só no silêncio dos teus olhos
Silêncio cor cinzenta
Cinzenta que vejo só no silêncio dos abismos
Silêncio cor vermelha
Vermelho apaixonado beijo que se solta dos teus lábios
Silêncio, o meu companheiro colorido
Robert Allio
Aula de Anabela Espada
30/05/2018
Que bonito é ser-se Mãe!
Sou mãe de primeira vez,
Tão virgem nestas andanças!
Sempre gostei de crianças,
Mas, minhas, esta é a primeira
E sinto que veio por bem.
Mas por muito que eu não queira
Tenho o que qualquer mãe tem.
Não gosto de me queixar
Nem pensem que me entristece
O que agora me acontece.
Mas já ando a suspirar
Por uma noite bem dormida.
Sentar-me à mesa e comer
Uma refeição de seguida
É coisa para esquecer.
- A menina porque chora?
- Não sei, mudei-a
agora.
- João, põe-na a arrotar,
Vou por a
roupa a lavar.
- Mas, continua a chorar!
Dá-lhe
outra vez de mamar!
Que
bonito é ser-se mãe!
- Dorme, minha pequenina!
Canta-lhe
o pai em surdina.
E
continua a chorar
Treme-lhe
o queixo, o beicinho,
Esbraceja,
faz caretas…
Não
é falta de carinho,
Não
me venham cá com tretas!
Serão
dores ou será fome,
Gases,
cólicas, “mázura”?
Este
choro é uma tortura!
Porque
será que não dorme?
E
há mais roupa p’ra lavar
E
a casa para arrumar
- Então hoje não se come?
- Também eu já tenho fome...
- Mas vou dar-lhe de mamar.
- Porque não vamos sair?
- Agora?!
- Está finalmente a dormir.
Está tão bonito, o anjinho
Dorme tão tranquilamente,
Nem percebo porque a gente
Se confunde e atemoriza.
Pois se a Maria Luísa
Anda a tentar aprender
Como agora vai viver...
Que bonito é ser-se mãe!
Já não me agrada o que vejo
Neste corpo que é o meu
Quando me olho de lampejo:
Na barriga tenho estrias,
Não sei mesmo o que me deu,
Ando a somar calorias
Só me apetece comer.
E esta minha incontinência?
Há tanta coisa a mudar!
Senhor, dá-me paciência,
Não a consigo calar,
Já quer outra vez mamar!
- Ai, João vem-me ajudar,
- Outra fralda p’ra mudar.
Tudo se vai repetir
Uma vez, outra, de novo…
Vou levá-la a passear
- João, põe-na lá no ovo,
Vou
p’ra rua distrair.
Será
que já quer mamar?
Mas se a percebo a sorrir
Quando a mim se cola e ajeita,
Tão pequena, tão perfeita,
Não controlo este sentir
Que é bonito ser-se mãe.
Tenho o que qualquer mãe tem...
6
de Maio de 2018 – Dia da MÃE Helena Isabel
Escrito
pela mãe Maria Isabel
16/05/2018
As minhas broas de milho
BROAS DE
MILHO
1 kg de farinha de milho
0,kg de açúcar
2 colheres de mel
200 g de banha
1 copo de azeite
1 kg de farinha de milho
0,kg de açúcar
2 colheres de mel
200 g de banha
1 copo de azeite
Escalda-se a farinha com estes ingredientes, de um dia para o outro.
Depois
adiciona-se a erva doce, a canela, a raspa de limão, volta-se a amassar muito bem, tendem- se as broas, e cozem-se em
forno bem quente.
Bom apetite.
ALZIRA SANTOS
09/05/2018
A TIRANIA DOS DEVERIAS
Com um amigo,
recentemente operado, numa amena cavaqueira telefónica, veio a tema as crenças,
os pensamentos e as ideias distorcidas que são erróneas e que provocam no
sujeito um mal-estar significativo. Centramos a nossa conversa na crença dos
"deverias".
"Os deverias" são umas premissas fixas que nos fazem ver a vida de uma maneira pouco flexível, impedem-nos de alcançar as metas e os propósitos. São umas crenças irracionais expressas em forma absoluta e rígida que são sentidas como imposições. Estão muito relacionadas com a culpa e a frustração.
Envolve o si mesmo, os outros e a vida:
1. O si mesmo: devo fazer sempre as coisas perfeitas... (deveria aprovar...)
2. Os outros: devem actuar como eu acredito ou quero... (deveria estar mais pendente de mim...)
3. A vida: deve funcionar de maneira idealizada e positiva … (deveria ser o que espero…)
Quando um individuo com esta personalidade compara o que "deveria" ser ou fazer, com o que é ou faz na realidade e verifica que as situações são muito diferentes e, isto provoca-lhe emoções negativas.
Para compreender melhor esta problemática, há que recorrer a Karen Horney que escreveu muito sobre "a tirania dos deverias". Esta teoria defende que o sujeito tem um sistema de imperativos internos muito activos que estimulam a consciência psicológica a afogar-se nos ditames do "eu deveria".
O meu amigo, no outro lado do telefone, dizia, é impressionante ver a quantidade de “deverias” aos quais nos sentimos vinculados. Tantos “deverias” esmagam-nos!
Pois…crenças perturbadoras, irracionais e exigentes, há que tentar eliminar esta rigidez mental e tornarmo-nos mais flexíveis, ser uma pessoa emocionalmente saudável, mesmo quando a realidade é incómoda, aceitar que, a vida nem sempre funciona da maneira que esperávamos, embora às vezes possa ser desagradável… a vida, praticamente nunca, é completamente terrível e insuportável.
"Os deverias" são umas premissas fixas que nos fazem ver a vida de uma maneira pouco flexível, impedem-nos de alcançar as metas e os propósitos. São umas crenças irracionais expressas em forma absoluta e rígida que são sentidas como imposições. Estão muito relacionadas com a culpa e a frustração.
Envolve o si mesmo, os outros e a vida:
1. O si mesmo: devo fazer sempre as coisas perfeitas... (deveria aprovar...)
2. Os outros: devem actuar como eu acredito ou quero... (deveria estar mais pendente de mim...)
3. A vida: deve funcionar de maneira idealizada e positiva … (deveria ser o que espero…)
Quando um individuo com esta personalidade compara o que "deveria" ser ou fazer, com o que é ou faz na realidade e verifica que as situações são muito diferentes e, isto provoca-lhe emoções negativas.
Para compreender melhor esta problemática, há que recorrer a Karen Horney que escreveu muito sobre "a tirania dos deverias". Esta teoria defende que o sujeito tem um sistema de imperativos internos muito activos que estimulam a consciência psicológica a afogar-se nos ditames do "eu deveria".
O meu amigo, no outro lado do telefone, dizia, é impressionante ver a quantidade de “deverias” aos quais nos sentimos vinculados. Tantos “deverias” esmagam-nos!
Pois…crenças perturbadoras, irracionais e exigentes, há que tentar eliminar esta rigidez mental e tornarmo-nos mais flexíveis, ser uma pessoa emocionalmente saudável, mesmo quando a realidade é incómoda, aceitar que, a vida nem sempre funciona da maneira que esperávamos, embora às vezes possa ser desagradável… a vida, praticamente nunca, é completamente terrível e insuportável.

01/12/2011
As velhas da minha rua
Com saudade, sim, recordo com saudade, a Bárbara das
Carretas, sempre atarefada a fazer empreita, rolo já feito debaixo do braço,
uma palma na boca, usava vocabulário um tanto impróprio para uso das pessoas de
então, fumava cachimbo.
A Júlia Franco, encarregada de serviços de um antigo
comerciante, o Pereira, que era surdo, e então a quinhentos metros ouviam-se as
conversas, quase sempre relacionadas com os serviços que fazia num pequeno
terreno que o senhor tinha à distância de cerca de um quilómetro da então vila
de Lagoa.
A Tia Anica tinha a mania das horas e, enquanto não ouvia as
badaladas, estava inquieta, mas, assim, depois delas ficava feliz. Também tinha
a mania dos nomes e, assim, abeirava-se das pessoas, dando sinais da pessoa de que
se tinha esquecido do nome, e, então, quando era satisfeita, agradecia muito.
Metia rapé nas narinas e espirrava por isso, mas, segundo dizia, aliviava-a
muito.
![]() | |
| O sistema de registo da Tia Eliza |
A Inácia Bobó, lavadeira, ia buscar roupas para lavar nas
Fontes de Estômbar. Para fazer a caminhada até às Fontes usava um burro velho;
alguns encomendava a rapazes, que iam buscá-los às Alagoas, zona húmida, onde
abandonavam asininos depois de já não poderem trabalhar, cujo valor não ia a 50
centavos. Quando tinha algum dinheiro ia à taberna da Tia Eliza com uma
garrafinha escondida, que trazia cheia de aguardente. Depois de embriagada,
insultava os vizinhos.
A Isabel Carteira, coitada, também era alcoólica e então
vivia com o Eugénio Esbruga num armazém (antiga oficina de carros puxados por
muares). Se ele recolhia mais cedo, fechava-se e era vê-la suplicando ”Ó
Geninho, filho, abre a porta!” Batia e repetia até à exaustão “Geninho, abre a
porta!” e, assim, ele curtia a sua bebedeira abrigado, e ela, também com os
copos, de fora, até que se calava, vencida pelo sono. A Isabel Carteira comia
carvão, algum adquirido fazendo mão baixa na taberna da Tia Eliza.
A Lucrécia Caixinha era outra velha dos meus tempos de
criança. Fazia bruxedo. Vivia com duas filhas e chegaram a estar encarregues
dum marco fontanário existente perto da casa onde viviam.
Como é bom recordar isto, antes que a velhice que me afeta,
mo faça esquecer.
Eu já me esqueço dos nomes. Eu já não dispenso o relógio. Outros
digam de sua justiça.
Rogério (Novembro, 2011)
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