07/12/2018

PARABÉNS

Parabéns minha musa

Musa sem dúvidas nenhumas,
Sem ti não escreveria as palavras seguidas,
Sem ti não saberia que o Fernando, um dia, disse que cada um tinha uma pequena parte de loucura e de poesia.
Loucura e poesia ?   Caramba! qual é esse novo programa? 

Parabéns minha musa

Agora, com uma musa e um poeta como Pessoa ao meu lado não tenho qualquer razão válida para não deixar a minha caneta escavar uma pagina bem inspirada !

razão válida ? Poderia ser uma falta futura de tinta ? só  ouvi  que teria perturbação no fornecimento  de gasolina, mas nunca de tinta. ah! más desculpas e grandes mentiras!


 Parabéns minha musa

O comprimento desta página é uma razão verdadeira mas nunca faltarão páginas, pois não!
Falta de página? acredita, minha musa,  são outra vez más desculpas e grandes mentiras!
Mas uma outra página  será necessária com certeza para que o poeta reencontre a sua musa de novo amanhã.

Ninguém  lerá estas poucas linhas, Ainda bem!
É Apenas uma história entre uma musa e seu poeta.

 Parabéns minha musa


Robert       

06/12/2018

 Aula Nossa língua Anabela Espada


Verde lagarto amarelo
texto Lygia Fagundes Telles


O verde lagarto amarelo entrou na casa no seu passo macio, sem ruído ; ele chamava-se Eduardo.
é assim que Rudolfo vê o seu irmão mais jovem : prelúdio de um  texto amargo, ácido, cheio de ressentimentos.

O lagarto tem o sangue frio, move-se rapidamente dependendo do perigo ; ágil, o lagarto observa sua presa longamente antes de a matar.

O Rudolfo sente-se  prisioneiro nesta relação mortífera, sempre diminuído em frente do irmão mais novo , irmão tão perfeito,  tão amado  por uma mãe protetora mas muito critica e pouco carinhosa com o Rudolfo.

O mal estar do pobre Rudolfo manifesta-se por todos os poros de seu corpo gordo desde a infância até à idade adulta.

Tanta transpiração, tanta irritação, tanta agitação.

Um texto difícil sobre a impossível fraternidade

E entretanto o lagarto observa, friamente,  impassível. Não  se sente responsável por nada!

Robert Allio          
 As cores



O Vento Camaleão

Vento, a tua cor muda sempre como o camaleão
Como o camaleão, o que tu tocas transforma a tua aparência mutante

Verde como as árvores que oscilam majestosamente
Amarelo como o trigo que dança tranquilamente
Branca como as velas dos barcos que navegam seguramente
Vermelho como o teu vestido que eleva-se sedutoramente

Vento multicolor, para a beleza do mundo
Sopra, Sopra, Sopra eternamente




Silêncio cor de Luz
Luz que vejo só no silêncio de minha alma

Silêncio cor azul
Azul que vejo só no silêncio dos teus olhos

Silêncio cor cinzenta
Cinzenta que vejo só no silêncio dos abismos

Silêncio cor vermelha
Vermelho apaixonado beijo que se solta dos teus lábios

Silêncio,  o meu companheiro colorido




Robert Allio

Aula de Anabela Espada

   


    

30/05/2018

Que bonito é ser-se Mãe!


Sou mãe de primeira vez,
Tão virgem nestas andanças!

Sempre gostei de crianças,
Mas, minhas, esta é a primeira
E sinto que veio por bem.
Mas por muito que eu não queira
Tenho o que qualquer mãe tem.

Não gosto de me queixar
Nem pensem que me entristece
O que agora me acontece.
Mas já ando a suspirar
Por uma noite bem dormida.
Sentar-me à mesa e comer
Uma refeição de seguida
É coisa para esquecer.

- A menina porque chora?
-  Não sei, mudei-a agora.
- João, põe-na a arrotar,
Vou por a roupa a lavar.
- Mas, continua a chorar!
Dá-lhe outra vez de mamar!

Que bonito é ser-se mãe!

- Dorme, minha pequenina!
Canta-lhe o pai em surdina.
E continua a chorar
Treme-lhe o queixo, o beicinho,
Esbraceja, faz caretas…
Não é falta de carinho,
Não me venham cá com tretas!
Serão dores ou será fome,
Gases, cólicas, “mázura”?
Este choro é uma tortura!
Porque será que não dorme?

E há mais roupa p’ra lavar
E a casa para arrumar
- Então hoje não se come?
- Também eu já tenho fome...
- Mas vou dar-lhe de mamar.
- Porque não vamos sair?
- Agora?!
- Está finalmente a dormir.

Está tão bonito, o anjinho
Dorme tão tranquilamente,
Nem percebo porque a gente
Se confunde e atemoriza.
Pois se a Maria Luísa
Anda a tentar aprender
Como agora vai viver...

Que bonito é ser-se mãe!

Já não me agrada o que vejo
Neste corpo que é o meu
Quando me olho de lampejo:
Na barriga tenho estrias,
Não sei mesmo o que me deu,
Ando a somar calorias
Só me apetece comer.

E esta minha incontinência?
Há tanta coisa a mudar!
Senhor, dá-me paciência,
Não a consigo calar,
Já quer outra vez mamar!
- Ai, João vem-me ajudar,
- Outra fralda p’ra mudar.

Tudo se vai repetir
Uma vez, outra, de novo…
Vou levá-la a passear
- João, põe-na lá no ovo,
Vou p’ra rua distrair.
Será que já quer mamar?

Mas se a percebo a sorrir
Quando a mim se cola e ajeita,
Tão pequena, tão perfeita,
Não controlo este sentir
Que é bonito ser-se mãe.

Tenho o que qualquer mãe tem...



6 de Maio de 2018 – Dia da MÃE Helena Isabel
Escrito pela mãe Maria Isabel

16/05/2018

As minhas broas de milho

BROAS  DE   MILHO  
1 kg de farinha de milho
0,kg de açúcar
2 colheres de mel
200 g de banha
1 copo de azeite

Escalda-se a farinha com estes ingredientes, de um dia para o outro.
Depois adiciona-se a erva doce, a canela, a raspa de limão, volta-se a amassar  muito bem, tendem- se as broas, e cozem-se em forno bem quente.

Bom apetite.


ALZIRA SANTOSMaçaroca de milho geneticamente modificado ou  transgénico

09/05/2018

A TIRANIA DOS DEVERIAS


Com um amigo, recentemente operado, numa amena cavaqueira telefónica, veio a tema as crenças, os pensamentos e as ideias distorcidas que são erróneas e que provocam no sujeito um mal-estar significativo. Centramos a nossa conversa na crença dos "deverias". 
"Os deverias" são umas premissas fixas que nos fazem ver a vida de uma maneira pouco flexível, impedem-nos de alcançar as metas e os propósitos. São umas crenças irracionais expressas em forma absoluta e rígida que são sentidas como imposições. Estão muito relacionadas com a culpa e a frustração.  
Envolve o si mesmo, os outros e a vida:
1. O si mesmo: devo fazer sempre as coisas perfeitas... (deveria aprovar...)
2. Os outros: devem actuar como eu acredito ou quero... (deveria estar mais pendente de mim...)
3. A vida: deve funcionar de maneira idealizada e positiva … (deveria ser o que espero…)
Quando um individuo com esta personalidade compara o que "deveria" ser ou fazer, com o que é ou faz na realidade e verifica que as situações são muito diferentes e, isto provoca-lhe emoções negativas.
Para compreender melhor esta problemática, há que recorrer a Karen Horney que escreveu muito sobre "a tirania dos deverias". Esta teoria defende que o sujeito tem um sistema de imperativos internos muito activos que estimulam a consciência psicológica a afogar-se nos ditames do "eu deveria".
O meu amigo, no outro lado do telefone, dizia, é impressionante ver a quantidade de “deverias” aos quais nos sentimos vinculados. Tantos “deverias” esmagam-nos!  
Pois…crenças perturbadoras, irracionais e exigentes, há que tentar eliminar esta rigidez mental e tornarmo-nos mais flexíveis, ser uma pessoa emocionalmente saudável, mesmo quando a realidade é incómoda, aceitar que, a vida nem sempre funciona da maneira que esperávamos, embora às vezes possa ser desagradável… a vida, praticamente nunca, é completamente terrível e insuportável.




    • 01/12/2011


      As velhas da minha rua

      Com saudade, sim, recordo com saudade, a Bárbara das Carretas, sempre atarefada a fazer empreita, rolo já feito debaixo do braço, uma palma na boca, usava vocabulário um tanto impróprio para uso das pessoas de então, fumava cachimbo.
      A Júlia Franco, encarregada de serviços de um antigo comerciante, o Pereira, que era surdo, e então a quinhentos metros ouviam-se as conversas, quase sempre relacionadas com os serviços que fazia num pequeno terreno que o senhor tinha à distância de cerca de um quilómetro da então vila de Lagoa.
      A Tia Anica tinha a mania das horas e, enquanto não ouvia as badaladas, estava inquieta, mas, assim, depois delas ficava feliz. Também tinha a mania dos nomes e, assim, abeirava-se das pessoas, dando sinais da pessoa de que se tinha esquecido do nome, e, então, quando era satisfeita, agradecia muito. Metia rapé nas narinas e espirrava por isso, mas, segundo dizia, aliviava-a muito.
      O sistema de registo da Tia Eliza
      A Tia Eliza, proprietária duma taberna, fazia o seu comércio, fiava e, como não sabia ler ou escrever, os algarismos  que usava eram símbolos que desenhava.1 escudo, 50 centavos, 20 centavos, 10 centavos. Tinha uma máxima: casa que não tem teias de aranha, não tem pão. Quando discutia dizia no discurso ”Eu sou muito parcial”. Queria dizer “muito imparcial”.
      A Inácia Bobó, lavadeira, ia buscar roupas para lavar nas Fontes de Estômbar. Para fazer a caminhada até às Fontes usava um burro velho; alguns encomendava a rapazes, que iam buscá-los às Alagoas, zona húmida, onde abandonavam asininos depois de já não poderem trabalhar, cujo valor não ia a 50 centavos. Quando tinha algum dinheiro ia à taberna da Tia Eliza com uma garrafinha escondida, que trazia cheia de aguardente. Depois de embriagada, insultava os vizinhos.
      A Isabel Carteira, coitada, também era alcoólica e então vivia com o Eugénio Esbruga num armazém (antiga oficina de carros puxados por muares). Se ele recolhia mais cedo, fechava-se e era vê-la suplicando ”Ó Geninho, filho, abre a porta!” Batia e repetia até à exaustão “Geninho, abre a porta!” e, assim, ele curtia a sua bebedeira abrigado, e ela, também com os copos, de fora, até que se calava, vencida pelo sono. A Isabel Carteira comia carvão, algum adquirido fazendo mão baixa na taberna da Tia Eliza.
      A Lucrécia Caixinha era outra velha dos meus tempos de criança. Fazia bruxedo. Vivia com duas filhas e chegaram a estar encarregues dum marco fontanário existente perto da casa onde viviam.
      Como é bom recordar isto, antes que a velhice que me afeta, mo faça esquecer.
      Eu já me esqueço dos nomes. Eu já não dispenso o relógio. Outros digam de sua justiça.
      Rogério (Novembro, 2011)