04/06/2026

O Ócio em "Admirável Mundo Novo"

 


Recentemente, voltei a ler o romance "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, filósofo e escritor inglês. Neste romance, escrito em 1931, o autor descreve uma distopia futurística em que o mundo tem um governo central que domina todos os aspetos da vida das pessoas, desde a genética e a inteligência até ao trabalho e ao ócio.

Aqui o ócio é um instrumento utilizado pelo estado para manter a estabilidade social e o controle. Em vez de ser um tempo para descanso, reflexão ou desenvolvimento pessoal, o ócio está desenhado para manter os cidadãos distraídos, entretidos e obedientes. A meta é promover o consumo e impedir o pensamento individual e independente.

As pessoas dispõem de muitas oportunidades recreativas, como o golfe de obstáculos, que requer viajar em helicóptero para chegar aos campos, e o cinema sensível em que não só se ouve, mas também se sente os cheiros e as coisas que os atores sentem, até aos beijos. Todas as atividades são deliberadamente complexas e dispendiosas, garantindo que as pessoas continuem a comprar bens e serviços.

O governo faz tudo para suprimir os passatempos solitários e as atividades intelectuais, porque podem incentivar o pensamento critico e a autoconsciência.

O único passatempo solitário tolerado é a "soma", uma droga fornecida gratuitamente pelo governo, que causa um estado de inconsciência eufórico. Quando alguém experimenta emoções negativas, é incentivado a tomar uma dose e escapar para um mundo de sonhos, reduzindo assim a insatisfação pessoal e a possibilidade coletiva de agitação social. O ócio, então, funciona tanto com um meio de controle emocional como de entretenimento.

Huxley utiliza esta representação do ócio para criticar a cultura consumista moderna e os perigos de sacrificar a individualidade em nome do conforto. Os cidadãos do Mundo Novo parecem felizes, mas a sua felicidade é superficial, porque é baseada na distração constante e não em experiências significativas. O autor quer destacar a importância da liberdade, da profundidade emocional e da escolha pessoal. Será que nós, cidadãos do mundo atual, com a televisão cada vez mais banalizada, com os anúncios personalizados em toda a parte oferecendo cada vez mais engenhos desnecessários, com desprezo crescente da palavra escrita, vamos também terminar num mundo como o descrito por Huxley? Espero que não!

Violet Long 02-06-2026


Sem comentários:

Enviar um comentário