24 de mar. de 2026

Da beleza perfeita, mas estática à beleza memorial dum ser não bonito.

 

Da beleza perfeita, mas estática à beleza memorial dum ser não bonito.

Meu rosto ainda sem marcas do tempo olhava para o lado enquanto aguardava me servissem

o café. Reparo na outra senhora, feia, e nos vincos de sua pele com quarenta anos,

talvez!... Emanava um forte poder de charme inteligente. Posteriormente perguntei a um

amigo, mulherengo, caracterizando a dita senhora, se os homens a poderiam achar mulher

encantadora, sedutora, apetecível para amar longamente e eternamente. Ao que ele me

respondeu: Sim! Há mulheres feias de beleza extrema.

Ontem lembrei-me desta resposta ao comtemplar uma senhora, já velha, que se encontrava a

ser atendida na recepção dum hospital: - Que linda me pareceu... Sempre que falava o rosto

iluminava-se no sorriso constante nos seus olhos e lábios serenos de constância.

Imaginei-a assim no seu centenário que me reportou à memória de um filme em que a

protagonista principal personificava a sua retirada dos palcos nesta sua última representação

teatral. Em plano de fundo, uma fotografia enorme de um rosto feminino. Todo ele parecia a

terra mãe duma planície ressequida pelo sol ardente!... Conseguia-se vislumbrar o calor

humano que emanava e a envolvia através do seu olhar doce e cativante que nos transmitia

esperança ilimitada de paz e tranquilidade que acalmava nosso desassossego...

Júlia, março 2026

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