Da beleza perfeita, mas estática à beleza memorial dum ser
não bonito.
Meu rosto ainda sem marcas do tempo olhava para o lado
enquanto aguardava me servissem
o café. Reparo na outra senhora, feia, e nos vincos de sua
pele com quarenta anos,
talvez!... Emanava um forte poder de charme inteligente.
Posteriormente perguntei a um
amigo, mulherengo, caracterizando a dita senhora, se os
homens a poderiam achar mulher
encantadora, sedutora, apetecível para amar longamente e
eternamente. Ao que ele me
respondeu: Sim! Há mulheres feias de beleza extrema.
Ontem lembrei-me desta resposta ao comtemplar uma senhora,
já velha, que se encontrava a
ser atendida na recepção dum hospital: - Que linda me
pareceu... Sempre que falava o rosto
iluminava-se no sorriso constante nos seus olhos e lábios
serenos de constância.
Imaginei-a assim no seu centenário que me reportou à memória
de um filme em que a
protagonista principal personificava a sua retirada dos
palcos nesta sua última representação
teatral. Em plano de fundo, uma fotografia enorme de um
rosto feminino. Todo ele parecia a
terra mãe duma planície ressequida pelo sol ardente!...
Conseguia-se vislumbrar o calor
humano que emanava e a envolvia através do seu olhar doce e
cativante que nos transmitia
esperança ilimitada de paz e tranquilidade que acalmava
nosso desassossego...
Júlia, março 2026
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